Quase três minutos

Começo por algo aparentemente fútil de propósito: o volume do som ambiente.

E o volume das vozes. Que oscilam no momento certo. A banda sonora. O foco. Os planos. A luz. A banda sonora. Os gestos. Quem aparece. Quando aparece. Os adereços. Os gestos, mundanos mas tão marcantes que marcam. As palavras. Sim, porque as palavras podem encerrar em si vontades, sentimentos, convicções. As antíteses. O amor. Os momentos da vida que nos são apresentados. O amor. A angústia latente na voz na personagem da Amy Adams. A tristeza. Mas também a determinação e a vontade. E a aceitação, que não seria para todos. No fim tudo se reduz a uma única e simples palavra que encerra em si uma complexidade monstra. Uma vida. Ou duas. Curta e/ou longa. Essa palavra é “escolha”.

Adoro o que Ted Chiang escreve. Há escritores que não conseguem em 500 páginas dizer o que Chiang diz em 50 ou 100. Adoro a capacidade que o Dennis Villeneuve tem de transpôr para o ecrã palavras, ideias e sentimentos que residem nas páginas de um livro. Não é para todos. Por fim, mas não menos importante, admiro a capacidade que o Max Richter tem de colocar uma vida inteira numa peça composta para quatro cordas.

Quem quiser saber mais deve fazer o seguinte:

-Escutar “On The Nature Of Daylight” do Max Richter
-Ler a short story “Story of Your Life” do Ted Chiang (enquanto ouve “On The Nature Of Daylight” do Max Richter)
-Escutar “On The Nature Of Daylight” do Max Richter
-Ver o filme Arrival do Dennis Vileneuve (e pelo meio pode ouvir “On The Nature Of Daylight” do Max Richter)
-Escutar “On The Nature Of Daylight” do Max Richter

Esta última vez em que escutaram a “On The Nature Of Daylight”, vai soar diferente, se é que não soou diferente antes.

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