IT & the Amazons

O que é que um livro sobre História e Arqueologia pode ter a ver com o mundo dos projecto de IT?

Mais do que à primeira vista pode parecer.

Adrienne Mayor é norte-americana, historiadora e professora na universidade de Stanford. Em 2014 publicou um livro intitulado, “The Amazons: Lives and Legends of Warrior Women Across the Ancient World”. O livro explora, argumenta e defende de uma forma quase natural mas muito acertiva e muito (muitíssimo!) convincente, que as Amazonas, sim as míticas mulheres guerreiras, foram mais do que um isso e viveram de facto entre nós e que há muitos indícios que nos permitem concluir isso. E é exactamente neste ponto, a forma como Mayer, nos expõe as suas teorias e depois as procura provar, através da análise, observação (muitas vezes indirecta) e muita ponderação, que reside um aspecto que quem trabalha na área do IT, deveria ter muito mais em conta do que tem na realidade e em muitas ocasiões. A começar pelo realismo com que Mayor encara aquilo que defende; quando nos falam em Amazonas, facilmente desfilam pelas nossas cabeças um conjunto pré-concebido de imagens e estereótipos (como a imagem que ilustra este texto) que, se formos a pensar, na realidade, e dum ponto de vista histórico parecem, no mínimo, muito improváveis. Também nos projectos na área do IT muito vezes nos falta realismo e uma fraca percepção para perceber aquilo que o cliente quer de facto, por exemplo. Mas nem é aí que reside realmente aquela, que na minha (humilde) opinião, é uma mais-valia, no trabalho de Adrienne Mayor. O que lhe admiro realmente, é um misto da paciência, da experiência e da muita minúcia, que deixa transparecer no seu trabalho. Características expectáveis para quem trabalha numa área com a de Adrienne Mayor, mas muito menos comuns numa área como o IT, em que tudo está a acontecer a uma velocidade vertiginosa e o que era verdade ontem, deixou de o ser hoje. Quantas vezes não são tomadas decisões sem que se tenha toda a informação reunida e que nos iria permitir decidir com reais fundamentos? Provavelmente demasiadas. Perceber que as coisas levam o seu tempo e que, em muitos casos, a resposta pode até estar bem perto mas por algum motivo ainda não se revelou é quase por si só uma arte. É nestes momentos que devemos ser persistentes e pacientes. Pelo meio devemos estar sempre atentos a todos os pormenores. Um detalhe pode ser o sintoma ou o sinal que procuramos para resolver algum problema, perceber alguma coisa ou uma necessidade e muitas vezes, na pressa de resolver ou pela pressão de ter resultados, nos escapa. Conseguir este equilíbrio e esta capacidade, é uma tarefa quase herculeana mas é também uma garantia de melhores resultados naquilo que fazemos.

Podem encontrar o livro aqui.

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